sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Mensagem de Natal - Bispo da Guarda


De novo a lição do Presépio
Estamos em plena quadra de Natal e mais uma vez a mensagem do Presépio de Belém toca o nosso coração, modifica as relações e os comportamentos, e traz-nos novas razões de esperança.
Na simplicidade e pobreza daquela criança deitada nas palhinhas do Presépio, fora da cidade misturada com os mais humildes e esquecidos, que os pastores representam, contemplamos cada uma e todas as crianças do mundo, que são, por si mesmas, a expressão mais acabada do sorriso de Deus para toda a humanidade. E entre elas queremos, neste Natal, distinguir, com atenção privilegiada, as que não têm pai nem mãe, como os teve o Menino Jesus, para cuidar delas, para as ajudar a crescer na vida e a realizarem o sonho legítimo de construírem o seu futuro com dignidade. Queremos trabalhar para oferecer a essas crianças as condições que lhes faltam para viverem felizes. Saudamos, por isso, todas as instituições que se propõem acolhê-las e ajudá-las, com uma recordação especial para o "Anascer" que, nesta nossa cidade, ao cuidado da Cantas Diocesana da Guarda, acolhe mães com dificuldade e seus filhos, quer os nascidos quer os que estão prestes a nascer. Por sua vez a iniciativa "Dez milhões de estrelas" que estamos a desenvolver e apoiar, com a compra de uma vela para ajudar as iniciativas da Cáritas nacional e diocesana, é também um sinal do nosso sim a esta e outras iniciativas do género.
Sabendo que o Natal é motivação particular para ir ao encontro de todos os que precisam, também estamos empenhados em que os serviços da Caritas Diocesana se estendam às periferias, incluindo com a sua competência técnica, para descobrir e identificar bem as situações de carência existentes, mesmo as não visíveis a olho nu. É por isso que, quer através do programa "Próximo mais próximo" que está a ser desenvolvido para ir ao encontro dos párocos e das paróquias, quer através da marcação de tempos e lugares determinados de  atendimento, por proposta dos arciprestes, sempre a contar com as instituições que já actuam no terreno, queremos contribuir para dar resposta às situações variadas de especial dificuldade que estão a atingir crescente número de pessoas e famílias.

Também sabemos que, apesar das muitas conquistas e progressos das sociedades actuais, a solidão e o abandono continuam a fazer sofrer grande número de pessoas, nos nossos ambientes. Há muito a fazer no combate a estas formas de marginalidade que, em situações mais extremas, podem levar os implicados a pedir para lhes anteciparem a morte. Ora, a solução não é legalizar a eutanásia, pois essa é a escolha mais fácil, que significaria sempre a rendição da sociedade e das suas instituições diante das dificuldades, em vez de procurar congregar esforços, com o empenho de todos, para as superar. Mais ainda, é bom lembrar que uma decisão desta natureza não é legítimo tomá-la nas costas da sociedade civil que, de facto, não elegeu os seus deputados para isso. Mais ainda e citando conceituada figura pública, não podemos permitir que a morte, mesmo a pedido, possa ser aproveitada como solução para problemas económicos e de sustentabilidade social. Na realidade, como demonstra a prática de países onde a eutanásia legalizada, é fácil levar as pessoas que se encontram em extrema debilidade e sem as condições de vida digna a que têm direito e lhe são devidas pela sociedade a fazerem o pedido formal para que lhes antecipem a morte.
Ora Natal não é morte, mas vida nascente que se afirma, apesar das dificuldades, como foi, no caso do Menino de Belém, a recusa de um lugar na cidade e a expulsão para as periferias. Assim eram considerados os campos dos pastores.
Santo Natal, com votos de que a todos sejam criadas as condições necessárias para viver a vida sempre com esperança.
Guarda, 15.12.2016
+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda