terça-feira, 10 de maio de 2016

Carta de Nossa Senhora ao Peregrino


Querido peregrino:

Tenho reparado no quanto me amas e nas provas de amor que me tens dado. Tenho reparado no esforço violentíssimo que tens feito para me visitares no lugar onde eu quis aparecer a três crianças.
Tenho reparado em ti. Sei bem o que te pesa no coração, as dificuldades que tens suportado e a firmeza de fé e coragem de que és exemplo. Não estás sozinho e quero apenas relembrar-te algumas coisas importantes:

1- O Caminho para Fátima não é uma maratona nem uma pista onde se coloca à prova a resistência física. É sim um banco de ensaios para a tua humildade e uma lição realista das tuas possibilidades humanas e espirituais.

2 – O autêntico Caminho é aquele que cada um vai fazendo por dentro. Esse pode fazer com que te encontres a ti mesmo e transformes toda a tua vida.

3 – É necessário entender que o tempo é um dom de Deus. Aceita cada momento desta peregrinação como único e especial.

4 – Optimismo e alegria, sinceridade e simplicidade, capacidade de sacrifício e de contemplação, abertura aos outros e delicadeza, solidariedade e limpeza são qualidades de um autêntico peregrino mariano.

5 – O equipamento mais importante é a tua atitude de busca

6 – Inicia o Caminho sem nenhum tipo de preconceitos. Nem sobre os teus irmãos, nem sobre as simples gentes dos povoados, nem sobre as raízes religiosas de cada um. Sobretudo sê humilde e livre. Não esqueças que em qualquer ponto do Caminho te podes encontrar com Deus. Na realidade, Ele é o teu companheiro de caminho.

7 – Um peregrino que não tem a capacidade de admirar e ler os acontecimentos mais simples não pode perceber o fundo surpreendente e belo das coisas.

8 – Abre bem os olhos à beleza da paisagem, e da arte, a quem te oferece hospitalidade, à gratuidade e gratidão. A contemplação das estrelas com um são humanismo faz gente do caminho e almas de Deus.

9 – Durante a peregrinação não te feches em ti mesmo. Faz do teu caminhar um encontro constante. Sai de ti e comunica-te. Exprime a tua experiência, defende com fidelidade e respeito as tuas certezas e vivências, superada que foi toda a fronteira.

10 – Respeita a natureza, pode ensinar-te muito. Tu formas parte dela e estás chamado a ser o porta-voz que canta a sublimidade da criação e do seu Criador.  Encara o sol e ou a chuva como companheiros.  Respira fundo e pisa leve.

11 – Às vezes, uma canção no Caminho dará fortaleza aos teus pés cansados. Em outras ocasiões o silêncio será o melhor canto para repensar a tua vida em profundidade. Porque “no silêncio o coração respira”…

12- Não te esqueças em nenhum momento que peregrinar é rezar com os pés! Conversa por isso, sem medo, com o silêncio.

13 – Ao chegar a Fátima lembra-te que não vai adorar uma “deusa” em função de uma qualquer superstição. Vais encontrar-te com a Mãe que te quer apresentar e conduzir a Jesus o seu divino Filho. Reza-lhe com confiança, com serenidade e espírito aberto para escutares as interpelações que Deus queira colocar no teu coração.

Querido peregrino... Não importa se caminhas devagar... desde que não pares.
Já falta pouco. FORÇA, FOCO E FÉ.
Eu vou contigo e espero por ti para juntos chegarmos a Jesus.
Assina:
MARIA DE NAZARÉ
MÃE DE JESUS E NOSSA MÃE - SENHORA DE FÁTIMA


Pe.António Martins
Paróquias da Estrela

Cursistas





sábado, 7 de maio de 2016

Ascensão


Quais foram as ultimas palavras/vontades de Jesus?

As últimas palavras que alguém profere antes de morrer ganham quase sempre uma espécie de valor místico. Um sentido espiritual profundo.
“Foram as suas ultimas palavras”. “Foram as suas ultimas vontades!”

Quais foram as ultimas palavras de Jesus antes de morrer?
“Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!”  
Tudo entregou nas mãos do Pai. Para que se cumprisse plenamente o projeto de Deus para a humanidade.

Mas estas não foram as ultimas palavras que Jesus proferiu enquanto peregrinou aqui na terra. Depois de ressuscitar apareceu aos seus discípulos e antes de subir ao Céu deixou-lhes algumas recomendações. E a ultima frase que Jesus disse, já com o corpo glorioso da ressurreição, aqui na terra é-nos apresentada pelo livro dos Atos dos Apóstolos. E, porque foi a ultima frase que nos disse de forma direta reveste-se de uma singular importância:

Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra.”

Jesus termina a sua presença física e gloriosa após a sua própria ressurreição e sobe ao céu. Para o lugar de onde veio. Para junto do Pai que o enviou a apresentar claramente o amor de Deus por todos os seus filhos.
Tendo cumprido plenamente o projeto do Pai. Sobe ao Céu não para desaparecer. Para nos abandonar. Mas para nos responsabilizar e comprometer.

Tendo cumprido o projeto de Salvação que o Pai lhe confiou Jesus envia-nos agora a nós, como enviou outrora os seus discípulos, a construir comunidade. Uma Igreja que não se coloca a si mesmo no centro da sua missão mas se dedica plenamente ao serviço do próximo e cuidado pleno no trato da casa comum que partilhamos agora nós e depois de nós outros irão partilhar. 

Jesus termina a sua peregrinação aqui na terra. Assim como nós também um dia terminaremos.
A vida é isto mesmo. Uma peregrinação, mais longa ou mais curta, a caminho do encontro definitivo com o Deus que nos quis criar.

Todos somos peregrinos da existência – dom de amor dos nos pais e amor primeiro do próprio Deus.

Jesus subiu ao céu. Não nos abandonou. Responsabilizou-nos! Somos os seus discípulos. E como discípulos não podemos nem devemos passar o tempo simplesmente a olhar para o Céu.
Apenas numa espécie de contemplação mística. Cristo espera que sejamos capazes de, enquanto peregrinos colocar o coração em Deus e as mãos comprometidas com o trabalho.

Jesus sobe ao Céu. Deixa de estar visivelmente connosco. Permiti-me que fantasie a esse respeito com uma espécie de “testamento” que Jesus não fez mas poderia ter feito:

Eu, Jesus de Nazaré, vendo que se aproxima a minha hora de deixar fisicamente este mundo, estando na posse das minhas faculdades para assinar este documento, desejo repartir os meus bens não apenas por entre as pessoas mais próximas mas por todos.

Deixo todas as coisas que, desde o meu nascimento, estiveram presentes na minha vida e me marcaram de um modo significativo.
Assim:
Deixo a Estrela que conduziu os Magos a Belém, aos desorientados e a todos os precisam ver claro, todos os que desejam ser guiados ou que servem de guias.
Deixo o Presépio aos que não têm nada, nem se quer um lugar para se resguardar, uma fogueira para se aquecer ou um amigo com quem falar.
Deixo as minhas Sandálias aos que desejam empreender o caminho do bem, aos que estão dispostos a seguir-me até ao fim.
Deixo a Bacia onde lavei os pés, aos que querem servir, a quem desejar ser pequeno diante dos homens, pois esse será grande aos olhos de meu Pai.
Deixo o Prato onde parti o pão, aos que promovem a fraternidade para que estejam sempre dispostos a amar acima de tudo e a todos.
Deixo o Cálice, aos sedentos de um mundo melhor e de uma vida mais justa.
Deixo a Cruz a todos aqueles que estiverem dispostos a carregar com ela.,
Deixo a Túnica, a todo aquele que a dividir e repartir.

Também quero deixar como legado, a todo a humanidade, não apenas coisas mas também as atitudes que guiaram a minha vida:

Deixo a minha Palavra, e Ensino, que o Pai me confiou, a todo aquele que a escuta e põe em pratica.
Deixo-a a todos os que desejarem partilhá-la.
Deixo a Humildade a quem estiver disposto a trabalhar pela expansão do Reino dos Céus.
Deixo o meu Ombro, a todo aquele que precisar de um amigo em quem possa reclinar a cabeça, ao abatido pelo cansaço do caminho para que possa descansar e recobrar forças para continuar caminhando.
Mas porque amo a Humanidade, por quem tanto sofri, deixo-me a Mim Mesmo.

Finalmente deixo-vos a todos esta certeza. A mais importante. Eu estarei convosco até ao fim dos tempos.
Assinado - Jesus Cristo que subiu aos Céus.

quinta-feira, 5 de maio de 2016





Dia da Espiga

40 dias depois da Páscoa – entre a tradição popular e o religioso pagão. O Dia da espiga é uma celebração popular portuguesa. Antiga.  (fonte: IMISSIO)
Quando eu era miúda, (onde isso já vai!) em casa de meus pais e avós, tios, primos (o clã) cumpria-se a tradição que mandava que em dia de Quinta-feira da Ascensão, 40 dias depois da Páscoa, os amigos, os vizinhos, as famílias, se juntassem em grupos e, num saboroso e saudável passeio matinal, colhessem espigas de vários cereais, flores campestres, raminhos de oliveira e de videira para formar um ramo que depois se guardava “religiosamente” – o “ramo da espiga” - que devia ser colocado por detrás da porta de entrada, e só devia ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte. E em dias de trovoadas queimava-se um pouco desse ramo no fogo da lareira para afastar os raios.(!?)
Talvez esta celebração primaveril seja uma das muitas reminiscências das antigas tradições pagãs e esteja ligada à tradição dos Maios e das Maias.
O dia da espiga era também o "dia da hora" e considerado "o dia mais santo do ano” (!) - um dia em que não se devia trabalhar (num tempo em que, na agricultura, ainda se trabalhava de sol a sol, isto era uma Boa notícia). Era chamado o dia da hora porque, diziam, havia uma hora, o meio-dia, em que tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda, as flores não se cruzam…". Era durante essa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da espiga e as ervas que se punham a secar para depois fazer chás, infusões e mezinhas… Era um tempo sem Serviço Nacional de Saúde…
(Temo que, mais dia menos dia, muita gente vá ter que voltar às mezinhas caseiras como única possibilidade de medicina preventiva, curativa ou paliativa. 
Que o digam os milhares de pessoas que hoje vivem alguma das várias periferias que a ganância de alguns poucos vai criando…)
Às várias plantas que compõem o ramo da espiga era dado um significado e um valor simbólico, profano e religioso, que não diz mais que os nossos mais simples e naturais desejos:
Espiga – O pão que mata a fome e nos faz Livres;
Malmequer – O ouro e a prata, o dinheiro, que tantas vezes nos encandeiam;
Papoila – O Amor que é vida e nos faz SER Gente entre Gente, com Gente;
Oliveira – A luz que anuncia o DIA. Uma Boa Notícia de Esperança;
Videira – O vinho da Alegria e da Festa;
Alecrim – A Saúde, a Sabedoria, a Fortaleza do Espírito.

domingo, 1 de maio de 2016

sábado, 30 de abril de 2016

quinta-feira, 28 de abril de 2016

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Avisos





Que bom seria




Papa Francisco

Carragozela

Festa da Palavra e do Pai Nosso






terça-feira, 26 de abril de 2016

domingo, 24 de abril de 2016





sábado, 23 de abril de 2016

Hoje o Papa Francisco foi para a rua confessar.



ANÚNCIO, INTERCESSÃO, ESPERANÇA


 As três Palavras do Cristão que quer viver o mandamento do Amor
- V domingo da Páscoa -


Hoje Jesus, no texto do Evangelho, “depois de Judas ter saído”,  resumiu para os seus mais próximos e fieis o mais importante da sua ação e pregação.

Disse-lhes claramente que o amor há-de ser o que identifica os seguidores de Jesus. A capacidade de amar há-de ser o que manifesta e prova a fé em Deus.

Mais claro Jesus não podia ser. No contexto da ultima ceia enquanto se despede dos discípulos e lhes deixa as últimas recomendações depois de lhes lavar os pés e de anunciar à comunidade a traição de um do grupo Jesus afirma categoricamente o mandamento novo do amor que não condena,  que não limita a liberdade que gratuitamente se dá e entrega de forma radical e sempre.

A proposta  cristã  resume-se  no  amor.  Dizia Santo Agostinho – Ama e faz o que quiseres! Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos”

É o amor  que  nos  distingue,  que  nos identifica; quem não aceita o amor, não pode ter qualquer pretensão de integrar a comunidade de Jesus.
O que é que está no centro da nossa experiência cristã? A nossa religião é a religião do amor, ou é a religião das leis, das exigências, dos ritos externos?

Falar de amor hoje pode ser equívoco… A palavra “amor” é, demasiadas vezes, usada para definir comportamentos egoístas, interesseiros, que usam o outro, que fazem mal, que limitam horizontes, que roubam a liberdade… Mas o amor  de que Jesus fala é o amor que se faz serviço, que acolhe e que respeita a liberdade do outro sem nunca discriminar ou marginalizar. É dom gratuito para nossa realização e felicidade do outro.

O Papa Francisco esta semana, numa das homilias da missa semanal pediu que todos os cristãos amassem a Deus e ao próximo com três palavras:
Todo o Cristão tem de ser capaz de ANUNCIAR; INTERCEDER E ESPERAR (ter esperança).               

O Papa terminou a sua homilia com as seguintes interrogações que queremos fazer hoje nós também:
“Podemos perguntar-nos, cada um de nós: como é o anúncio na minha vida? Como é a minha relação com Jesus que intercede por mim? E como é a minha esperança? Acredito realmente que o Senhor ressuscitou? Acredito que reza por mim ao Pai? Toda as vezes que o chamo, Ele está a rezar por mim, intercede. Acredito realmente que o Senhor voltará? Vai fazer-nos bem perguntar isto sobre a nossa fé: acredito no anúncio? Acredito na intercessão? Sou um homem ou uma mulher de esperança?"

Que neste domingo ressoe bem fundo estes desafios que nos conduzem ao amor a Deus e ao próximo:

Ama e faz o que quiseres! Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos”.


Horários - Eucaristias deste fim de Semana