Dia da Espiga
40 dias depois da Páscoa –
entre a tradição popular e o religioso pagão. O Dia da espiga é uma
celebração popular portuguesa. Antiga. (fonte: IMISSIO)
Quando eu era miúda, (onde
isso já vai!) em casa de meus pais e avós, tios, primos (o clã)
cumpria-se a tradição que mandava que em dia de Quinta-feira da
Ascensão, 40 dias depois da Páscoa, os amigos, os vizinhos, as famílias,
se juntassem em grupos e, num saboroso e saudável passeio matinal,
colhessem espigas de vários cereais, flores campestres, raminhos de
oliveira e de videira para formar um ramo que depois se guardava
“religiosamente” – o “ramo da espiga” - que devia ser colocado por
detrás da porta de entrada, e só devia ser substituído por um novo no
dia da espiga do ano seguinte. E em dias de trovoadas queimava-se um
pouco desse ramo no fogo da lareira para afastar os raios.(!?)
Talvez esta celebração
primaveril seja uma das muitas reminiscências das antigas tradições
pagãs e esteja ligada à tradição dos Maios e das Maias.
O dia da espiga era também o
"dia da hora" e considerado "o dia mais santo do ano” (!) - um dia em
que não se devia trabalhar (num tempo em que, na agricultura, ainda se
trabalhava de sol a sol, isto era uma Boa notícia). Era chamado o dia da
hora porque, diziam, havia uma hora, o meio-dia, em que tudo parava,
"as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda,
as flores não se cruzam…". Era durante essa hora que se colhiam as
plantas para fazer o ramo da espiga e as ervas que se punham a secar
para depois fazer chás, infusões e mezinhas… Era um tempo sem Serviço
Nacional de Saúde…
(Temo que, mais dia menos
dia, muita gente vá ter que voltar às mezinhas caseiras como única
possibilidade de medicina preventiva, curativa ou paliativa.
Que o digam os milhares de pessoas que hoje vivem alguma das várias periferias que a ganância de alguns poucos vai criando…)
Às várias plantas que compõem
o ramo da espiga era dado um significado e um valor simbólico, profano e
religioso, que não diz mais que os nossos mais simples e naturais
desejos:
Espiga – O pão que mata a fome e nos faz Livres;
Malmequer – O ouro e a prata, o dinheiro, que tantas vezes nos encandeiam;
Papoila – O Amor que é vida e nos faz SER Gente entre Gente, com Gente;
Oliveira – A luz que anuncia o DIA. Uma Boa Notícia de Esperança;
Videira – O vinho da Alegria e da Festa;
Alecrim – A Saúde, a Sabedoria, a Fortaleza do Espírito.