sábado, 16 de abril de 2016

IVº domingo do tempo Pascal


Parece desprovida de atualidade a comparação que Jesus utiliza. Cristo é o Bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas.
Agora somos todos muito modernos. A nossa cultura... a cultura que nos entra em casa pela televisão e internet convida-nos a sermos mais urbanos e atuais e a olhar para os outros em função daquilo que são ou não capazes de produzir.
Por isso a figura de Cristo bom pastor diz-nos hoje muito pouco. Sabemos bem quem é um ídolo pop, um conhecido e importante futebolista, um presidente, um chefe, um “qualquer VIP” que vende a sua imagem em capas de revista saltitando de escândalo em escândalo. Sabemos bem quem são aqueles que se impõem, os que manipulam e assim conseguem arrastar e vender a sua imagem e aparente valor.
O Evangelho que hoje nos é proposto convida-nos a descobrir a figura bíblica do Pastor: uma figura que evoca valores e principios totalmente diferentes:
A figura bíblica de Cristo, bom pastor, evoca a doação, a simplicidade, o serviço, a dedicação total, o amor gratuito. É alguém que é capaz de dar a própria vida para defender incondicionalmente as ovelhas que lhe foram confiadas.
Como tudo seria diferente se na Igreja, na vida social, política e cultural todos procurassem ser “bons pastores” dos outros seus irmãos e não apenas importantes e famosos que se preocupam apenas em cultivar o seu ego.
Para nós cristãos valerá sempre a pena seguir a voz de Cristo bom pastor. Que ressoa cá dentro. Bem dentro.
Essa voz habitualmente não é ruidosa nem tem direito a grande destaque nos meios que os outros utilizam para aparecerem como importantes e famosos.
Cristo bom pastor não quer ser famoso. Quer ser seguido. Cristo bom pastor não quer ser importante... quer ser amado. Quer guiar-nos, levar-nos... saciar-nos a fome e sede de sentido profundo para a nossa existência. E só Ele pode. Só Ele consegue.
Todos deveremos procurar ser, uns para os outros, bons pastores. Tendo como modelo o único bom Pastor. Jesus Cristo.
Como fazem falta, nos dias de hoje, bons guias e sérios interpeladores dos seus irmãos. Haver até haverá – pessoas que vivem e procuram testemunhar os valores e princípios importantes da existência humana - mas infelizmente não lhes dão voz, tempo de antena e importância.
Cristo convida-nos a todos a sermos bons pastores e convida de forma especial os sacerdotes a serem como Ele…  “bons pastores”.
Cristo convida hoje os padres, os bispos a, com docilidade, ternura e constante atenção conduzir aos prados mais verdejantes o Povo de Deus. Aqueles que querem ser Povo de Deus e não simplesmente receptores de serviços pastorais ou cumpridores de ritos tradicionais vazios de sentido e objectividade.
Como padre das coisas que mais cansa e dói é sentir que muitas vezes não consigo ser pastor – bom pastor… muitas vezes por fragilidade minha. Mas muitas outras tentar ser bom pastor e não conseguir passar de simples árbitro.  Apenas isso. Árbitro de contendas e “partidos”. Arbitro de egos e status. E, no final… nestas coisas todas… de quem é sempre a culpa? – É do árbitro.

Que Cristo bom pastor nos ensine a todos a sermos dóceis à voz dos bons pastores.
Que todos consigamos também ser para os outros válidos pastores que ajudam a discernir de acordo com os valores importantes.
Que Cristo bom pastor nos abencõe e conduza sempre pelo melhor caminho e nunca desfaleçamos de o seguir.
António Martins